A Direção‑Geral da Saúde (DGS) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) divulgaram novas orientações para reforçar a proteção das populações perante temperaturas elevadas e ondas de calor, cuja frequência e intensidade têm aumentado nos últimos anos. Segundo o documento oficial, “as alterações climáticas têm aumentado a frequência, a intensidade e a duração das ondas de calor em Portugal e na Europa, constituindo um importante problema de saúde pública”.
As temperaturas extremas podem provocar desidratação, exaustão pelo calor, agravamento de doenças crónicas e aumento da mortalidade, afetando especialmente os grupos mais vulneráveis.
Populações mais vulneráveis
O documento identifica vários grupos que requerem atenção reforçada:
- Pessoas com 65 ou mais anos
- Crianças com menos de 5 anos
- Grávidas
- Pessoas com doenças crónicas (cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes ou psiquiátricas)
- Pessoas com dependência, mobilidade condicionada ou acamadas
- Pessoas que vivem sozinhas ou em isolamento social
- Pessoas sem acesso a climatização adequada
- Trabalhadores expostos ao calor e pessoas institucionalizadas
Principais medidas de prevenção
As orientações destacam várias ações essenciais:
- Atualização anual dos procedimentos e integração das medidas nos Planos Municipais de Emergência
- Sinalização e acompanhamento de pessoas vulneráveis, incluindo contactos preventivos e visitas domiciliárias
- Campanhas de informação à população sobre hidratação, permanência em locais frescos, proteção solar e sinais de alerta
- Articulação com IPSS, Misericórdias, Centros de Saúde e outras entidades locais
- Monitorização de situações de risco durante períodos de alerta
O documento reforça que é fundamental “promover a ampla comunicação das medidas” através de redes sociais, rádio local, cartazes e atendimento presencial.
Medidas comunitárias e espaço público
Entre as ações recomendadas encontram‑se:
- Abertura de Locais de Abrigo Temporário (LAT)
- Disponibilização de água potável e manutenção de bebedouros públicos
- Prolongamento do horário de bibliotecas, piscinas e equipamentos climatizados
- Transporte de pessoas vulneráveis para locais frescos quando necessário
- Reforço de zonas de sombra e instalação de estruturas temporárias de arrefecimento
- Ajuste dos horários de trabalhos municipais no exterior
Articulação institucional
As entidades locais devem assegurar coordenação permanente com:
- Autoridade de Saúde e Unidade Local de Saúde
- Bombeiros, PSP/GNR e Cruz Vermelha
- Segurança Social e IPSS
- Associações e organizações locais
O documento sublinha ainda que “deve ser promovida a articulação com a Autoridade de Saúde/ULS” e que os procedimentos devem ser revistos e atualizados após cada período crítico.

